Quando falamos em relacionamento abusivo, na maioria das vezes o nosso pensamento é voltado para a ideia do abuso praticado por homens contra as mulheres. No entanto, a relação inversa também ocorre, e é importante entender que as mulheres podem ser abusivas e tóxicas, tanto quanto os homens, ainda que não se fale sobre isso.

De acordo com a psiquiatra e psicoterapeuta Aline Machado, relacionamento abusivo nos remete a ideia de que é uma relação com atos de violência física, geralmente de um homem contra uma mulher. No entanto, o abuso não se configura apenas como físico, já que abusos emocionais e psicológicos também são formas de violência, e afetam negativamente a curto, médio e longo prazo a vida das pessoas. E essas ações não necessariamente são desencadeadas apenas por homens.

Muitas pessoas já me questionaram se o abusador também pode ser mulher. Sim. Existem muitas mulheres abusivas, existem mulheres tóxicas. Existem mulheres que transformam a vida de seus namorados ou maridos em verdadeiros infernos”, comenta. 

O que é uma pessoa abusiva?

Segundo a especialista, trata-se daquela pessoa que, de início, se mostra gentil, amável e sedutora, mas que com o passar do tempo revela-se altamente controladora, fria e intolerante, podendo inclusive ter um comportamento imprevisível e violento. É o tipo de pessoa que faz com que a sua “vítima” se sinta culpada ou merecedora de todo o sofrimento.

A pessoa abusiva vai afastar a sua vítima dos familiares e amigos, controlando os seus passos e fazendo ameaças, dificultando qualquer pedido de ajuda e, geralmente, faz isso usando de manipulação emocional, obtendo assim controle e poder sobre a outra pessoa”, explica.

O abusador vai afetar a pessoa com violência física, emocional ou psicológica, mas na maioria dos casos a vítima sofre essas três formas de abuso.

Aline Machado cita algumas características: 

  • Ofensas: o agressor faz ofensas constantes disfarçadas de piadas ou de brincadeiras;
  • Controle: o agressor busca controlar os passos da outra pessoa e tira a sua liberdade;
  • Promessas vazias: Depois da agressão, o agressor pede perdão prometendo que vai mudar.

E afinal, o que é uma pessoa tóxica?

Ainda de acordo com a psiquiatra, uma pessoa tóxica é aquela que, num relacionamento, faz com que a outra pessoa se sinta mal, não deixando espaço para ela crescer pessoalmente. Não necessariamente essas atitudes são percebidas apenas em relações amorosas, mas podem ser identificadas em relação familiar ou de amizade.

Seja na vida social ou profissional, a pessoa tóxica vai agir apenas na esfera psicológica. Em boa parte dos casos, a pessoa tóxica não tem consciência da sua atitude.

Muitas vezes ela não tem intenção de machucar ou ferir a outra pessoa, não faz por maldade, mas geralmente faz porque é ou está infeliz. É aquela pessoa que faz críticas e julgamentos em excesso, reclama de tudo e de todos. Esse comportamento faz com que o agressor acabe “vampirizando” a energia das outras pessoas, sugando suas forças”, explica.

Algumas das características do relacionamento tóxico:

  • Vitimista: é aquela pessoa que se faz de vítima culpando as outras pessoas e situações por seus próprios erros e dificuldades; elas não se responsabilizam por seus atos;
  • Ciúmes e Cobranças excessivas : isso faz com que o agressor limite a liberdade da outra pessoa;
  • Acusação: o agressor tem costume de relembrar os erros cometidos pela outra pessoa a todo instante, seja para manipular, controlar, para ridicularizar ou fazer a outra pessoa se sentir culpada.

Dra Aline Machado explica que já teve pacientes com quadros de depressão e pensamentos suicidas, por viver em uma relação tóxica com atitudes desencadeadas pela mulher.  

Eu já tive um paciente que quando ele estava no trabalho a sua mulher ligava várias vezes por dia, se ele não atendesse imediatamente ela já ficava desconfiada, achando que estava sendo traída. Ela também exigiu as senhas do celular e das redes sociais dele, ela não o deixava sair sozinho, sempre desconfiando de tudo. Essa mulher tirou tanto a liberdade desse homem que ele acabou adoecendo, desenvolvendo um quadro depressivo e ansioso”, contou. 

Assim como ela, existem outras mulheres na mesma situação. Inclusive, há mulheres abusivas e tóxicas em relacionamentos homoafetivos também. Não é exclusividade do homem ser abusivo”, explica a especialista.

Aline conta ainda que em alguns casos a agressão física também acontece tendo a mulher como agressora. E cita que uma outra situação recorrente é quando, em uma separação, a mãe distorce a imagem do pai para colocar os filhos contra ele como um ato de vingança (alienação parental).

Para a especialista, o problema também precisa ser entendido na sua raiz, para ser tratado na sua origem. “Geralmente esse tipo de situação acontece porque essa mulher é muito insegura e possui uma autoestima muito baixa a ponto de achar que será trocada a qualquer momento”, cita.

A psiquiatra continua: “ a origem da situação abusiva, pelo abusador, pode ter relação com a baixa autoestima, com uma insegurança muito grande e falta de confiança no companheiro ou na companheira. Essas pessoas precisam procurar ajuda médica, seja um psiquiatra ou psicólogo, e com o tratamento adequado elas poderão ter uma vida afetiva mais saudável”.

Aline fala da importância de procurar um especialista para tratar do problema. “Da mesma forma, as pessoas que são vítimas dessas agressões e que já adoeceram, ou seja, que já desenvolveram algum quadro depressivo ou de ansiedade, também precisam de ajuda médica para uma avaliação e, se necessário, um tratamento adequado“, finaliza a especialista.

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