A busca pelo emagrecimento rápido nunca esteve tão em alta. De acordo com o estudo “The weight is over: How GLP-1 treatments are reshaping pharma and beyond”, as vendas de medicamentos injetáveis para perda de peso como Ozempic, Wegovy e Mounjaro cresceram de 4,5 bilhões de euros em 2021 para 21,2 bilhões em 2023, com expectativa de chegar a 92 bilhões de euros até 2030. Apenas em 2024, o crescimento desses medicamentos alcançou 92%. No entanto, junto com a balança que despenca, surgem novas preocupações: flacidez, envelhecimento precoce e mudanças faciais drásticas que podem impactar profundamente a autoimagem e a autoestima.

A gordura facial desempenha um papel essencial na sustentação da pele e na aparência jovial do rosto. Quando a perda de peso acontece de maneira brusca, essa gordura subcutânea diminui rapidamente, causando um efeito de envelhecimento precoce e acentuação da flacidez já existente. A perda de volume em áreas estratégicas, como bochechas, mandíbula e ao redor dos olhos, pode tornar os ossos faciais mais evidentes, aprofundar rugas e sulcos e deixar a pele com um aspecto mais cansado e flácido. Estudos mostram que indivíduos que perdem mais de 15% do peso corporal podem experimentar uma redução de até 30% no volume facial, tornando essas mudanças ainda mais perceptíveis.

Embora esses efeitos possam ocorrer com qualquer forma de emagrecimento acelerado, o uso de medicamentos injetáveis tem tornado o fenômeno mais comum. De acordo com minha experiência clínica, nos últimos 18 meses houve um aumento significativo na procura por tratamentos estéticos voltados à restauração do volume facial e à melhora da flacidez pós-emagrecimento. Pacientes relatam a sensação de “derretimento” do rosto, com bochechas caídas e acentuação das marcas de expressão, o que pode gerar grande frustração após a conquista do peso ideal.

Além disso, é importante destacar que esses efeitos não afetam apenas a estética facial, mas também podem ter um impacto emocional significativo. Muitas pessoas que passaram por emagrecimento rápido se deparam com a dissonância entre a nova imagem corporal e a percepção que têm de si mesmas. Portanto, o acompanhamento psicológico é uma ferramenta valiosa nesse processo, ajudando os indivíduos a se ajustarem às suas novas realidades e a cultivarem uma autoimagem positiva.

Para minimizar esses impactos, é fundamental adotar uma abordagem preventiva. O ideal é que os tratamentos sejam iniciados ainda durante o processo de emagrecimento, de forma a estimular a produção de colágeno e minimizar a perda de sustentação da pele. Procedimentos como bioestimuladores de colágeno, preenchimentos com ácido hialurônico, tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência são as soluções mais eficazes para combater a flacidez e restaurar o volume perdido. Além disso, uma rotina de cuidados com a pele rica em ativos como retinol, vitamina C, ácido hialurônico e peptídeos, aliada a uma alimentação equilibrada e ingestão adequada de líquidos, pode contribuir para a manutenção da elasticidade e da firmeza cutânea.

O emagrecimento pode ser transformador para a saúde e qualidade de vida, mas seus impactos na pele não podem ser ignorados. Estar ciente dessas mudanças, buscar acompanhamento médico adequado, para uma perda de peso controlada e gradual, além do acompanhamento dermatológico, para indicação assertiva de tratamentos e cuidados específicos com a pele, pode ajudar a mitigar esses efeitos, garantindo que a jornada de emagrecimento seja saudável e equilibrada, sem tantas repercussões estéticas e com a manutenção da saúde física e mental. Afinal, perder peso não deve significar perder sua identidade no espelho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *