Conhecida pelo ganho de performance nos treinos físicos, a creatina funciona como um reservatório energético, explica a Dra. Isis Toledo, endocrinologista e metabologista. “Como ela fica armazenada no músculo, durante a contração muscular, a creatina proporciona uma ressíntese rápida de energia”, detalha a especialista.


A creatina, ou ácido a-metil guanidino acético, pode ser obtida pelo consumo de carne vermelha e peixes. “Cerca de 95% é armazenada no músculo esquelético e o restante se aloja no coração, nos músculos lisos, no cérebro e nos testículos”, conta Dra Isis, complementando que a substância é sintetizada pelo fígado, rins e pâncreas, a partir dos aminoácidos glicina, metionina e arginina.

Na prática, a suplementação de creatina viabiliza uma melhora de performance em atividades de alta intensidade e curta duração. “Mas, ela também é benéfica no tratamento de doenças crônico-degenerativas, de resistência insulínica e de problemas neuromusculares”, adiciona a endocrinologista.

Aos interessados nos ganhos físicos, a Dra. Isis alerta que ela tem ação benéfica apenas quando associada aos exercícios. “Sem intervenção de treinamento físico, ela é ineficaz para ganhos de massa magra (músculo)”, afirma.

A dosagem diária recomendada, segundo a metabologista, é de 3g para mulheres e 5g para homens, administradas a qualquer hora do dia. “Pequenos ajustes podem ser realizados de acordo com o nível de treinamento e massa muscular da pessoa. O consumo exagerado não confere maiores ganhos”, alerta Dra. Isis.

DESMISTIFICANDO A CREATINA

Suplementação de creatina gera queda de cabelo?

Dra. Isis entende que essa possibilidade foi vinculada a um estudo de pequeno porte em 2009, mas considera uma evidência fraca, já que não houve seguimento de longo prazo na pesquisa. “Apesar do aumento do DHT (dihidrotestosterona, hormônio sexual derivado da testosterona) nesse estudo não há dados que correlacionam de maneira direta o uso de creatina e a queda de cabelo.

Pode causar mudanças hormonais?

“Não. Os hormônios anabólicos (testosterona, GH, IGF-1 e insulina) desempenham um importante papel nas adaptações do treinamento de força, mediando parte da sinalização celular responsável pela hipertrofia.

O estudo de Morton (2018) mostrou que a facilidade/dificuldade que um homem tem para ganhar massa muscular não tem relação com os níveis endógenos de testosterona (nem com os níveis de GH e IGF-1) e sim com o número de receptores androgênicos na fibra muscular”, explica a especialista, ao resumir que o maior determinante para o ganho de massa muscular é o potencial genético do indivíduo.

E a pele? Celulite? Estrias?

Acostumada a lidar com as dúvidas e questionamentos dos pacientes e do público, em geral, Dra. Isis também adianta que não há comprovação científica que relaciona reações de pele ao uso de creatina, já que efeitos colaterais como acne e queda de cabelo não são relatados em pacientes que fazem uso com indicação na dose correta. “O uso de creatina também não causa celulites, nem estrias. Esse mito se deve a uma confusão em que muitos associam a creatina à retenção hídrica. O que acontece é uma retenção intramuscular e que é muito diferente de ter retenção hídrica”, explica.

No mais, a endocrinologista reconhece ainda a associação da creatina a uma sobrecarga renal, mas também descarta análises mais superficiais. “Não há evidências sustentáveis de que essa substância possa apresentar riscos em pessoas saudáveis. Faltam pesquisas controladas, para investigar pacientes com nefropatia”, acredita, informando que pesquisas com idosos, diabéticos e pacientes com propensão a problemas renais demonstraram segurança e eficácia com a suplementação em doses adequadas.

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