Com a chegada do verão, cresce a busca por soluções para emagrecimento, movimento popularmente conhecido como “projeto verão”. Nesse contexto, medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro, ganham espaço nas conversas sobre saúde e estética. Mas especialistas chamam atenção para os impactos indiretos dessas terapias em condições associadas ao excesso de peso, como a apneia do sono.
A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o descanso noturno, o que compromete a oxigenação do organismo e a qualidade do sono. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco da condição, já que o acúmulo de gordura no pescoço e no abdômen pode favorecer o colapso das vias aéreas durante o sono. Por isso, a perda de peso costuma fazer parte da estratégia terapêutica em muitos casos.
Segundo especialistas, medicamentos como a tirzepatida podem contribuir nesse processo ao atuar no controle do apetite e no metabolismo, levando à redução de peso corporal. No entanto, é fundamental entender que esses medicamentos não tratam diretamente a apneia do sono e não substituem o uso do CPAP ou outras abordagens indicadas após avaliação médica.
“O emagrecimento pode reduzir a gravidade da apneia do sono em alguns pacientes, mas isso não significa que o medicamento seja um tratamento específico para o distúrbio. Ele pode ser um aliado dentro de um plano terapêutico mais amplo, sempre com acompanhamento médico e diagnóstico adequado”, afirma Sara Giampá, educadora física e pesquisadora científica da Biologix.
A especialista reforça ainda, que o uso indiscriminado desses medicamentos, motivado apenas por objetivos estéticos, pode trazer riscos. “Estamos falando de uma condição séria, associada a doenças cardiovasculares, metabólicas e cognitivas. Qualquer estratégia precisa considerar a saúde do sono como um todo, e não apenas a perda de peso”, explica Sara.
Outro ponto de atenção é que nem toda pessoa com apneia do sono tem excesso de peso, assim como nem todo paciente que emagrece deixa de apresentar o distúrbio. Por isso, o diagnóstico correto e o acompanhamento contínuo são essenciais. “A apneia exige avaliação clínica, exames específicos, como a polissonografia, e um plano individualizado. Medicamentos podem ter seu papel, mas não devem ser vistos como solução única ou milagrosa”, conclui Sara.
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