A Doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória intestinal crônica que pode atingir qualquer trecho do sistema digestivo — da boca ao ânus — e impactar profundamente a rotina de quem convive com ela. Os sintomas variam de diarreia persistente e dor abdominal intensa a sangramento nas fezes, febre, fadiga e perda de peso inexplicada, tornando o dia a dia imprevisível e desgastante.

Embora ainda não exista cura, a boa notícia é que, com diagnóstico adequado e tratamento personalizado, é possível controlar a inflamação, reduzir crises e devolver qualidade de vida aos pacientes.

“A Doença de Crohn tem origem multifatorial. Fatores genéticos, alterações do sistema imunológico, ambiente e microbiota intestinal atuam em conjunto no desenvolvimento da doença”, explica o Dr. Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia.

Diversos fatores estão associados ao surgimento e à piora da condição:

 – Predisposição genética: Pessoas com histórico familiar apresentam maior risco.

– Sistema imunológico desregulado: Respostas inflamatórias exageradas atacam o próprio intestino.

– Desequilíbrio da microbiota intestinal: Alterações nas bactérias intestinais interferem na defesa e no funcionamento do órgão.

– Fatores ambientais e estilo de vida: Tabagismo, estresse crônico, dietas pobres em fibras e ricas em gordura, uso frequente de anti-inflamatórios e consumo excessivo de álcool podem agravar o quadro.

– Tratamento: Controle, Qualidade de Vida e Acompanhamento Contínuo

O tratamento da Doença de Crohn é sempre individualizado e leva em conta a extensão da inflamação, a gravidade dos sintomas e a resposta do paciente às terapias.

“O objetivo não é apenas controlar a doença, mas permitir que o paciente viva com mais conforto, autonomia e segurança”, orienta o Dr. Alarcon.

As principais abordagens incluem:

– Medicamentos: Corticoides, imunossupressores, anti-inflamatórios, antibióticos e terapias biológicas ajudam a reduzir a inflamação e modular o sistema imunológico.

– Suporte nutricional: Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e adaptada à fase da doença, é essencial para evitar desnutrição e reduzir sintomas.

– Cirurgia: Indicada em casos de complicações como obstruções, fístulas, perfurações ou sangramentos graves. Embora não seja curativa, a cirurgia pode aliviar sintomas e prevenir riscos maiores.

Convivendo com uma Doença Crônica

A Doença de Crohn alterna períodos de remissão e atividade, o que torna o acompanhamento médico contínuo indispensável. Com informação, tratamento adequado e apoio profissional, é possível reduzir o impacto da doença e ampliar o bem-estar.

“Conscientizar sobre a Doença de Crohn é fundamental para combater o diagnóstico tardio e o sofrimento silencioso de muitos pacientes. Informação e cuidado fazem toda a diferença”, conclui o Dr. Ernesto Alarcon.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *