Durante muito tempo, o Botox foi associado quase exclusivamente ao tratamento de rugas na testa e ao redor dos olhos. Na prática dermatológica atual, no entanto, a toxina botulínica passou a ser utilizada em regiões menos óbvias do corpo, tanto com finalidade funcional quanto estética, sempre a partir de avaliação e indicação médica.
Um dos usos mais consolidados fora do rosto ocorre nas axilas, especialmente em casos de hiperidrose. A aplicação reduz a produção excessiva de suor ao bloquear estímulos nervosos responsáveis pela ativação das glândulas sudoríparas, promovendo melhora significativa na qualidade de vida de pacientes que sofrem com transpiração intensa.
A mesma lógica se aplica às palmas das mãos e às plantas dos pés, áreas onde o suor excessivo pode causar desconforto social, dificuldade de aderência ou impacto direto na rotina profissional. Em casos específicos, a toxina pode ser indicada com resultados temporários e controlados.
Outro uso que tem despertado curiosidade é na região íntima masculina, procedimento conhecido como Scrotox. Nesse contexto, a aplicação promove relaxamento da musculatura local, reduzindo sudorese, desconforto térmico e, em alguns casos, alterando temporariamente a aparência da pele da região, sempre dentro de critérios médicos bem definidos.
A toxina botulínica também pode ser utilizada em áreas como pescoço e trapézio, especialmente em pacientes com tensão muscular crônica, dores cervicais ou hipertrofia muscular. Nesses casos, o benefício vai além da estética, com impacto funcional e melhora do conforto físico.
Segundo a dermatologista Denise Ozores (CRM-SP 101677), é essencial compreender que o Botox é uma ferramenta médica, e não apenas uma tendência estética. “Quando bem indicada, a toxina botulínica pode trazer benefícios importantes. O problema começa quando o uso é guiado apenas por modismo ou curiosidade”, explica.
Ela reforça que nem toda queixa deve ser tratada com Botox. “A avaliação médica existe justamente para definir limites, identificar a real necessidade e evitar excessos. O objetivo não é transformar o corpo, mas tratar sintomas reais com segurança e responsabilidade”, conclui.
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