Como é bom contar e ouvir boas histórias não é mesmo?! Saber que existem pessoas que são exemplos de superação, de otimismo e solidariedade aquece os corações daqueles que sempre acreditam em dias melhores.

A Plena Mulher também está nesse time, e mais do que somente sentir, vamos contar a história de mulheres que inspiram a sociedade. O “Inspirar” é um quadro que vai levar para todas as leitoras, exemplos que retratam a vida de quem faz o bem, sem olhar a quem.

Para começar, nada melhor que trazer a história de alguém que rodou o país na última semana, através de um vídeo comovente e cheio de solidariedade e empatia.

Estamos falando da técnica de enfermagem Ângela Maria Pittas de Jesus, de 45 anos, que atravessou uma enxurrada para vacinar um idoso contra a covid-19 no interior do Paraná, na última sexta-feira (12).

Ângela Maria Pittas de Jesus atravessando enxurrada

Sempre atuante na área da saúde, a profissional foi agente comunitária de saúde durante 11 anos, 8 anos sendo auxiliar de enfermagem e há 4 a nossa heroína trabalha como técnica de enfermagem, na ala de imunização.

Servidora da prefeitura municipal de Porto Rico, Ângela conta que naquele dia chegou cedo a unidade de saúde, preparou a caixa em que as vacinas seriam armazenadas, a lista com os nomes e endereços de todos os pacientes, e chamou duas agentes de saúde para acompanhá-la até Relíquia (distrito do município de Porto Rico).

Assim que chegamos na Relíquia para atender o primeiro paciente, Seu Pinheiro de 96 anos, começou a chover. Quando saímos, eu já estava toda molhada, mas seguimos por mais 1km para vacinarmos outros dois idosos, e retornamos.

Conta Ângela

Ao tentar retornar, o carro em que a profissional estava atolou por pelo menos três vezes na estrada. Quando conseguiram sair, seguiram para o município de Monte Castelo, com destino a casa de Seu Manoel, último paciente a ser vacinado aquele dia.

A partir daí, a técnica de enfermagem não imaginava o desafio que teria que enfrentar para chegar a residência do idoso. Após percorrer mais de 6km em direção a casa de seu Manoel, uma enxurrada pegou a equipe de surpresa e impediu a passagem do veículo. Sem pensar duas vezes, Ângela desceu do carro e atravessou a cerca de arame sobre a água.

Como eu já tinha passado por várias enxurradas, eu tinha que passar por aquela também. O carro não tinha condições de passar por conta da força da água e também por um buraco que se formou. Eu me preocupei porque era a última dose, e seu Manoel estava esperando ansioso.

argumenta.

De acordo com a equipe, as vacinas precisam ser aplicadas em um intervalo de até seis horas depois que a ampola é aberta.

Seu Manoel sendo vacinado. Foto: Divulgação

Superando os desafios

O vídeo que mostra o momento exato de Ângela atravessando a enxurrada em cima de uma cerca logo viralizou e emocionou todo o país. E a técnica de enfermagem contou a nossa equipe como se sentiu diante daquele grande desafio.

Eu não pensei na hora na enxurrada, não pensei nesse obstáculo. Em nenhum minuto passou pela minha mente não ir, porque aqui em Porto Rico nós já perdemos muitas pessoas. Eu estava toda molhada, peguei no arame, atravessei e vacinei o seu Manoel. Eu só pensava em atingir o meu alvo e alcançar a meta que tanto ele estava esperando.

descreve Ângela.

Graças à determinação e coragem da técnica de enfermagem, todas as 20 doses com o imunizante da covid-19 foram aplicadas.

Casada e mãe de uma filha, Ângela também nos conta que já pegou a doença e acabou transmitindo para o esposo que ficou com sequelas graves, e que sua meta é vacinar o máximo de pessoas. “Quanto mais pessoas eu puder vacinar, mais feliz eu fico”, afirma.

A profissional da saúde, será homenageada pela Assembleia do município no próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

O ato de solidariedade como o do registrado na última sexta, vai muito além das limitações da unidade de saúde e dos desafios enfrentados todos os dias na profissão. Em seu tempo livre, Ângela auxilia um grupo de mães que estão amamentando, orientando e assistindo aquelas que precisam de ajuda.

A profissional finalizou a entrevista enfatizando aquilo que acredita. “Tudo o que formos fazer, deve ser feito com amor. Eu sou assim, não vejo obstáculos, eu amo ajudar o próximo”, finalizou.

Por mais profissionais (e pessoas) como Ângela!

1 Comentário
  1. Ela sempre foi muito dedicada em tudo que faz, cuidou da minha vó que tinha 92 anos com muito amor. Se existissem mais pessoas assim o mundo seria bem melhor.

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