Enquanto em 2020 os divórcios no Brasil caíram 13,6%, conforme noticiado pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o país bateu o recorde de separações em 2021. Dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB), revelam que foram registrados 80.573 divórcios em 2021, o maior número desde 2007.

A pesquisa feita pela entidade, que representa 8.580 cartórios de notas do país, apresenta um aumento de 40% em relação ao levantamento feito em 2020. A simplificação do processo em razão da pandemia e da necessidade de isolamento social pode ter impulsionado o aumento.

“Independentemente da pandemia, os casais vivem hoje relacionamentos muito mais instáveis do que antigamente. Estresse constante, pressão no trabalho, ansiedade e intolerância são alguns dos motivos contemporâneos que levam ao rompimento das relações atuais”, afirma a psicóloga Monica Machado.

Segundo ela, a maioria dos rompimentos acontece de forma repentina e abrupta, mesmo quando ainda existe amor. “Lógico que o sentimento não é o mesmo do início, até porque, se chegou ao ponto de terminar, a relação já está cheia de feridas não curadas, de mágoas e conflitos não resolvidos. E não é fácil decidir quando acabou”.

De acordo com a psicóloga, é fundamental ficar atento a situações que começam a minar lentamente sua relação. “Muitas vezes, a correria da vida nos impede de enxergar o que está dando errado. Pior: às vezes temos a consciência do que não está funcionando, mas acabamos ‘empurrando com a barriga’”.

Daí a necessidade de avaliar os fatores nocivos e intervir antes que o relacionamento chegue ao fim e não haja mais possibilidade de volta. Confira 3 situações típicas que vão acontecendo silenciosamente entre o casal e podem culminar na separação:

Expectativa x realidade

No começo do relacionamento, quando a paixão está a mil, nada incomoda e os “defeitinhos” são até charmosos. Com o tempo e, consequentemente, a diminuição daquela paixão inicial, ocorre o oposto. Os defeitos começam a irritar, as críticas surgem como uma avalanche e tudo vira motivo para discussão. “A paixão é uma fase em que idealizamos o outro. Perdemos o senso crítico em função do sentimento e enxergamos uma imagem que nem sempre corresponde à realidade. Quando a fase da paixão vai passando, essa distorção costuma desaparecer”, esclarece Monica Machado.

É preciso ter em mente que, em algum momento, isso pode acontecer. “A grande cilada é insistir em mudar o outro, ao invés de aceitar a pessoa que está ao seu lado. A dica é colocar na balança os defeitos e as qualidades. Se as qualidades se superarem e houver um sentimento genuíno, não pense duas vezes. Siga em frente neste relacionamento e sempre trabalhem em conjunto as atitudes que incomodam um ao outro”.

Comportamento defensivo

Ficar na defensiva é uma postura típica durante uma briga. É o famoso “jogar na cara”. “Isso acontece quando o casal teve um conflito anterior mal resolvido. Ou seja, passaram por alguma situação de discordância que não foi solucionada. O problema fica pendente de forma silenciosa, até que surge um episódio que traz à tona o tal conflito. E aí, a briga se torna um show de acusações”, explica Monica.

“Em vez de se apoiarem, se tornam duas pessoas que passam a competir o tempo todo sobre quem tem mais razão. Desconfiam e se protegem um do outro, transformando amor em rivalidade. Antes que chegue a esse ponto, é essencial que todo e qualquer problema seja conversado entre o casal. De preferência, com um desfecho pacífico e bem resolvido. Vale lembrar que este exercício deve ser feito toda vez que houver um desentendimento. Assim, não haverá mágoas guardadas, uma bomba-relógio que, hora ou outra, acaba explodindo”.

Falha de comunicação

Muitas vezes, o casal conversa, se comunica, mas nem sempre a mensagem é compreendida ou até verdadeira. Uma comunicação cheia de ruídos é pior do que o silêncio. Mentir, omitir ou ofender o outro pressupõe uma relação fadada ao fracasso.

Segundo a psicóloga, uma das razões que resultam no fim de um relacionamento é adotar padrões falsos de comunicação. “São conversas em que queremos falar algo, mas dizemos outra coisa. Ou quando expressamos um sentimento com palavras, mas a postura corporal diz outra, assim como o olhar e o tom de voz. Esses padrões de comunicação têm o objetivo de manipular, e não comunicar, ainda que isso seja inconsciente”.

Para que a relação seja saudável, deve sempre haver lealdade, cumplicidade e uma parceria em que um possa contar com o outro em qualquer situação. “Que ambos sejam transparentes e se sintam totalmente à vontade para falar o que quiserem, sem medo ou vergonha, porque sabe que o outro vai te ouvir sem julgar. Se o casal conseguir cultivar uma intimidade bem além da cama, o relacionamento cria laços estáveis e se fortalece cada vez mais ao longo do tempo”, finaliza Monica Machado.

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