Na semana das mulheres, um vídeo que recebi me chamou a atenção para refletir sobre a pergunta que proponho neste artigo.

Como parte de um experimento para explorar a mente humana, a empresa israelense Mindset pediu a 22 pessoas que resolvessem o mesmo enigma: um pai está  levando seu filho a uma entrevista de emprego numa grande corretora de valores da cidade, assim que chegam ao estacionamento da empresa, o telefone do filho toca, ele olha para o pai, que lhe diz vá em frente, atenda. Quem chama o menino é CEO da empresa e diz “good luck son, you’ve got this”. A pergunta do vídeo é: quem ligou para o menino? 1

Antes de desvendar o enigma, esclareço que deixei a frase acima em inglês pois em inglês é comum chamar ao outro de “son” (filho) quando uma pessoa mais velha fala a um menino, mesmo que não seja seu filho.

Voltando ao vídeo, surpreendentemente tanto homens e mulheres não acertaram quem ligou para o menino. A resposta: quem ligou para o menino foi a mãe.

Por que a maioria não deu a resposta certa?

Tradicionalmente a maioria dos mercados é formado por homens.

No Brasil, em média 19% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, e no mercado americano, de todas as grandes empresas, apenas 37 possuem mulheres ocupando o cargo de CEO. 3

Então, não se martirize se você também não pensou que a CEO poderia ser uma mulher no vídeo, estamos juntas(os) nessa.

A boa notícia é que o mundo evolui e, ainda de acordo com a Fortune 500, o número de mulheres que dirigem empresas está aumentando:

Promover a equidade de gênero é uma responsabilidade de todos nós

Olhemos para cada um(a) de nós. Podemos e devemos adotar práticas simples como: começar por algo bem básico, quantas mulheres te inspiram? Quantas mulheres, homens, trans você segue no Instagram por exemplo? Dá para ampliar a diversidade nas mídias sociais simplesmente ouvindo e seguindo grupos mais diversos? E em casa: encoraje sua filha para defender seus pontos de vista com firmeza e elegância e se forem meninos, nunca diga “não lave a louça porque é coisa de menina”, absolutamente nunca!

As empresas têm um peso muito importante. Promover grupos de discussão, criar um ambiente onde possam ser discutidas questões que afligem cada grupo é algo que pode ser rapidamente implementado para a construção de um ambiente mais inclusivo. E se isso não lhe convence, quem sabe este seja um argumento: empresas percebidas pelos funcionários como tendo diversidade em termos de gênero têm probabilidade 93% maior de superar a performance financeira de seus pares na indústria na América Latina. 4

E os governos também devem fomentar políticas públicas. Desde 2017 foram registradas 62 reformas destinadas a melhorar a igualdade de gênero no emprego e na atividade empresarial em 40 economias5. O Canadá introduziu um novo benefício de divisão da licença parental que reserva 35 dias de licença parental paga para o pai. A Geórgia tornou o acesso ao crédito mais fácil para as mulheres empreendedoras ao proibir a discriminação com base no gênero no acesso a serviços financeiros. O Uruguai introduziu uma legislação que determina a igualdade de remuneração para homens e mulheres que realizam trabalhos de igual valor. E no Brasil6 ao adotar ou obter guarda judicial para fins de adoção de criança ou adolescente foi aprovada a concessão da licença-maternidade.

E se a responsabilidade é de todos nós, fica aqui um convite para um olhar em cada detalhe, cada momento do dia, cada conversa para que busquemos juntos oportunidades de trazer cada vez mais a diversidade, a inclusão social, a equidade de gênero para nossos dias, sempre buscando a firmeza, a elegância no posicionamento e o respeito entre cidadãos.

E na semana das mulheres, termino com um trecho da música da cantora e compositora @sarahrenata:

“Linda, ela é tão dona de si
Que alguém pra caber no seu mundo
Tem que somar absurdo
Linda ela é tão feliz assim
Que o raso não dá pé pra ela
E o fundo ainda é pouco para mergulhar.”

Quando se trata de diversidade, quem soma ao seu mundo? E o que você soma ao mundo de alguém? #mulheresnatecnologia #forçainterior #strengthfromwithin

* Fontes e referências:

1 Vídeo – International Women’s Day – Can You Solve the Riddle? (Mindspace)

2 Pesquisa Panorama da Mulher – Insper

3 Female CEOs in the Fortune 500 – 2020

4 Estudo – Mckinsey – Diversity matters América Latina

5 Study – Worldbank – Women, Business and the Law 2020.

6 Planalto – Governo – Brasil – LEI 12.873 – art392a

Executiva do mercado de tecnologia, esposa, mãe de gêmeos, amante de uma boa conversa e um bom vinho. Em sua trajetória profissional trabalhou para as maiores empresas de tecnologia do mundo, onde teve a oportunidade de interagir com profissionais de diferentes culturas, o que moldou sua visão de gestão. Pós-graduada em marketing, formação de diretores pelo IESE/ISE, curso livre no INSPER, inúmeros cursos online e buscando os próximos. Estudar e colocar em prática é sua paixão. Sempre acreditou no poder do estudo e no trabalho para fortalecer e transformar o indivíduo. Você pode encontrá-la nas redes sociais como @glaumaurano.
1 Comentário
  1. A discussão de gênero e representatividade feminina, ainda que estamos em pleno ano de 2021, precisa ganhar mais espaço e relevãncia dentro da sociedade de forma a chegar a avanços e não somente com a finalidade de criar rivalidade e revanchismo entre homens e mulheres. O diálogo proativo ainda é o caminho. O questionamento que coloco aqui é o seguinte: E a mulher depois dos quarenta? Sim, eu sei que o homem tambem passa pelo desafio da idade mas me permito ir além. E a mulher que se ausentou do mercado de trabalho para desempenhar uma função tão pouco valorizada (aquele, o doméstico) que, se pararmos para avaliar friamente nem possui um nome formal. O que fazemos com essas mulheres? As profissionais acima dos 40, que após alguns anos deseja voltar ao mercado de trabalho e mesmo se atualizando, buscando conhecimento, o tratamento que recebe é de desconfiança e desprezo. Repito, o que fazemos com essas mulheres?

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