A chegada do verão altera não apenas a rotina, mas também a forma como o corpo é observado. Com mais pele exposta, pequenas irregularidades ganham destaque, especialmente nas coxas e nos glúteos, regiões onde a celulite já tende a ser mais evidente. O que muitas pessoas não percebem é que hábitos comuns da estação, sobretudo a exposição solar intensa, interferem diretamente na qualidade da pele. Culturalmente associado à exibição do corpo, o verão também é um período em que a biologia cutânea enfrenta desafios constantes, muitas vezes silenciosos.

A celulite resulta da interação entre gordura, colágeno, microcirculação e a estrutura do tecido conjuntivo. Quando essa rede está equilibrada, a pele mantém uma aparência mais regular. Alterações nas fibras de sustentação, no volume local ou na circulação favorecem o surgimento de depressões e irregularidades. No verão, esse equilíbrio já delicado sofre influência direta do sol, do calor extremo, da desidratação e da retenção de líquidos, fatores que contribuem para deixar a textura da pele mais evidente.

A dermatologista Dra. Denise Ozores, especialista em beleza natural e no tratamento avançado da celulite, explica que o impacto do sol vai muito além do bronzeado. Segundo ela, a radiação ultravioleta provoca um dano estrutural profundo. “A exposição solar excessiva aumenta significativamente a degradação do colágeno, porque ativa enzimas que quebram as fibras de sustentação da pele. Ao mesmo tempo, a radiação reduz a capacidade de produzir colágeno novo. Quando essa estrutura enfraquece, as áreas de celulite se tornam mais marcadas”, afirma. Denise ressalta que essa perda de firmeza é cumulativa e se intensifica ao longo dos anos.

O calor é outro fator determinante nesse processo. De acordo com a dermatologista, as altas temperaturas provocam vasodilatação, aumentam o inchaço e favorecem a retenção de líquidos. “Esse acúmulo pressiona o tecido e deixa as ondulações ainda mais aparentes”, explica. Ela acrescenta que o sistema linfático, responsável pela drenagem de líquidos, tende a funcionar pior em situações de calor intenso, especialmente quando há longos períodos sentada ou baixa ingestão de água. Nesse cenário, a celulite não apenas aparece mais, como também pode se tornar mais rígida e resistente.

Outro ponto importante é a microcirculação, frequentemente negligenciada. Denise destaca que, quando a circulação local está comprometida, a troca de nutrientes diminui e o metabolismo do tecido desacelera. “Isso torna a pele mais vulnerável e favorece a compactação do tecido conjuntivo, um fenômeno típico da celulite em estágios mais avançados”, afirma. A combinação entre má circulação, retenção de líquidos e degradação do colágeno cria um ambiente propício para a piora da textura da pele durante o verão.

A dermatologista também chama atenção para o impacto da exposição solar nos tratamentos estéticos. Segundo ela, pacientes que se expõem ao sol sem proteção adequada costumam apresentar resultados inferiores em procedimentos que estimulam colágeno. “O dano causado pela radiação compete diretamente com o processo de reparo que tentamos induzir em consultório. A pele inflamada e agredida diariamente pela radiação UV oferece um ambiente menos favorável para a regeneração”, explica.

Para Denise, a mensagem principal não é evitar o verão, mas compreendê-lo do ponto de vista biológico. “O sol tem benefícios importantes para o humor e para o ritmo do corpo, mas precisa ser usado com inteligência. Quem busca melhorar a textura da pele precisa proteger o colágeno todos os dias, porque ele é a estrutura que mantém a superfície mais uniforme”, finaliza.

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