O uso de canetas emagrecedoras ganhou projeção entre celebridades nos últimos anos, mas relatos recentes passaram a expor um efeito pouco discutido fora do meio médico: o efeito rebote, caracterizado pelo ganho de peso após a interrupção do medicamento. O tema voltou ao debate público quando figuras conhecidas decidiram falar abertamente sobre o que aconteceu depois que pararam as aplicações, mostrando que a perda rápida nem sempre se sustenta sem um plano de manutenção.

Entre os relatos mais comentados está o da apresentadora Oprah Winfrey, que contou ter recuperado cerca de 9 quilos ao suspender o uso da medicação por um período. Mesmo mantendo exercícios e hábitos considerados saudáveis, ela descreveu que o apetite retornou gradualmente até perceber que o controle não era mais o mesmo sem o remédio. O impacto do depoimento foi amplificado pelo histórico público de Oprah com o peso, tornando o caso um dos símbolos do debate atual.

Nos Estados Unidos, a influenciadora Remi Bader também relatou ter engordado novamente após interromper o uso do Ozempic. Segundo ela, o retorno da fome foi intenso e dificultou a manutenção do padrão alimentar, levando a um ganho de peso maior do que o esperado. O relato reacendeu discussões sobre dependência metabólica e emocional associadas ao uso dessas medicações.

O ator e comediante Tracy Morgan abordou o assunto em tom bem-humorado ao dizer que chegou a engordar cerca de 18 quilos, chamando atenção para o fato de que o medicamento, por si só, não garante resultado quando o comportamento alimentar não muda. O comentário acabou reforçando a ideia de que a caneta não atua de forma isolada e pode ser “contornada” por hábitos incompatíveis com o tratamento.

No Brasil, o cantor MC Binn também falou publicamente sobre o rebote. Após emagrecer, ele contou que relaxou a rotina, voltou a ganhar peso e chegou novamente à casa dos 132 a 133 quilos, descrevendo o processo como um impacto físico e emocional. O relato evidenciou o risco do efeito sanfona quando o emagrecimento não é sustentado ao longo do tempo.

Para o médico Gabriel Almeida, especialista em emagrecimento, os casos ajudam a esclarecer o que está por trás do fenômeno. Ele explica que o efeito rebote é esperado quando a interrupção ocorre sem estratégia clínica. “Essas medicações reduzem a fome e alteram a saciedade. Quando a pessoa para sem planejamento, o apetite volta e o corpo tenta recuperar o peso perdido”, afirma. Segundo ele, o problema se agrava quando há perda de massa muscular durante o processo. “Ao interromper, o ganho costuma ser principalmente de gordura, o que piora o metabolismo”, diz.

O médico reforça que o tratamento da obesidade deve ser encarado como um processo contínuo e individualizado. “O medicamento pode ser uma ferramenta importante, mas não funciona sozinho. Sem mudança consistente de hábitos e acompanhamento adequado, o ganho de peso acaba sendo apenas uma questão de tempo”, conclui.

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