Vídeos que prometem emagrecimento rápido, sem esforço e com soluções improvisadas se tornaram parte da rotina de quem consome conteúdo no TikTok. Dietas extremamente restritivas, desafios de jejum prolongado e práticas sem qualquer respaldo científico passaram a circular como estratégias “simples” para perder peso. O que antes ficava restrito a nichos específicos hoje alcança milhões de pessoas em poucas horas, impulsionado por algoritmos e pela lógica da performance digital.

Entre os exemplos mais recentes estão vídeos que associam café com limão a um suposto efeito acelerador do metabolismo, apesar de não haver comprovação científica de que a combinação promova perda de gordura. Outra tendência que ganhou força foi a aplicação de óleo de rícino no abdômen, apresentada como solução para “secar” a barriga, mesmo que especialistas esclareçam que o produto atua apenas na hidratação da pele, sem impacto sobre a gordura corporal.

Também chamou atenção a popularização do chamado “Ozempic caseiro”, em que criadores de conteúdo passaram a recomendar o uso de laxantes como alternativa para emagrecimento rápido. A adesão foi tão grande que gerou escassez desses medicamentos em farmácias de alguns países e levou entidades médicas a emitir alertas públicos.

Para o médico Gabriel Almeida (CRM-SP 180956 | RQE 121513), especialista em emagrecimento e saúde metabólica, essas tendências prosperam porque oferecem respostas rápidas para um processo que é complexo e gradual. “O emagrecimento passou a ser tratado como performance. O corpo virou vitrine, e o resultado imediato vale mais do que a saúde”, afirma.

Do ponto de vista clínico, ele alerta que essas estratégias não promovem emagrecimento sustentável e expõem o organismo a riscos como desidratação severa, distúrbios hormonais, alterações cardíacas e agravamento de transtornos alimentares. “O corpo não responde bem a soluções violentas. Ele cobra esse preço”, diz.

Segundo o médico, o maior perigo está na normalização desses comportamentos. “Quando o extremo vira tendência, ele deixa de ser exceção e passa a ser visto como estratégia aceitável”, afirma. Os algoritmos reforçam esse ciclo ao entregar mais conteúdos semelhantes a quem interage com esse tipo de vídeo.

Para Gabriel Almeida, enfrentar esse cenário exige mais do que remover vídeos isolados. “Essas tendências refletem uma cultura que supervaloriza o resultado imediato e ignora o processo. Nenhum vídeo curto substitui acompanhamento médico, alimentação equilibrada e respeito ao corpo”, conclui.

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