No período de volta às aulas, que coincide com o Dia Internacional da Educação, celebrado em 24 de janeiro, crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) podem apresentar intensificação de sintomas como impulsividade, desatenção e dificuldade de organização. A retomada da rotina escolar, com horários fixos, regras mais estruturadas e maior demanda cognitiva, costuma evidenciar dificuldades que ficaram menos perceptíveis durante as férias. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que o transtorno afeta cerca de 7,6% das crianças e adolescentes no Brasil.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Dr. Rubens Wajnsztejn, o início do ano letivo deve ser encarado como um momento estratégico para acompanhamento e possíveis ajustes no tratamento, evitando retrocessos. Segundo o especialista, a definição do esquema terapêutico deve considerar como os sintomas se manifestam dentro e fora do ambiente escolar, sempre em conjunto com o médico responsável. A manutenção do tratamento contínuo pode favorecer uma adaptação mais equilibrada à rotina.
O manejo clínico do TDAH inclui o reconhecimento precoce dos sinais, que costumam surgir ainda na infância. Agitação acima do esperado para a idade, dificuldade para dormir, choro frequente e baixa tolerância à frustração, quando persistentes, podem indicar a necessidade de avaliação especializada.
Projeto nacional de orientação sobre TDAH nas escolas
A dificuldade de adaptação à rotina escolar reforça a necessidade de iniciativas que promovam conhecimento, acolhimento e orientação. Criado em 2024, o projeto TDAH Levado a Sério na Escola, de caráter itinerante e alcance nacional, alcançou mais de 1.000 educadores de 220 escolas públicas e particulares em diferentes regiões do País em 2025. A ação foi resultado de uma parceria entre a Apsen, indústria farmacêutica familiar e 100% nacional, e a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).
O objetivo é capacitar educadores para identificar precocemente os sinais do transtorno em sala de aula e contribuir para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo e preparado para acolher estudantes com TDAH. Novas etapas estão previstas para 2026, ampliando o acesso à informação qualificada e contribuindo para a redução de estigmas e da desinformação sobre o transtorno. Além das etapas itinerantes, haverá uma novidade esse ano com o lançamento de uma trilha de conhecimento digital que ampliará o acesso e a capacitação sobre o TDAH a qualquer educador do país.
Diagnóstico e tratamento do TDAH
Em 2025, um documento publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) oficializou oito opções medicamentosas para tratar o TDAH no país. A relação conta com estimulantes, antidepressivos e a Atomoxetina, primeira terapia não estimulante comercializada no Brasil desde o final de 2023. O transtorno é de natureza neurobiológica, com forte participação genética, tem início na infância e pode persistir na vida adulta, comprometendo o funcionamento do indivíduo em diferentes áreas, sendo caracterizado por hiperatividade, impulsividade e desatenção.
Em crianças, o diagnóstico deve ser feito por meio de avaliação clínica detalhada conduzida por profissional médico especializado. Instrumentos como a escala SNAP-IV auxiliam no rastreio dos sintomas, mas não substituem a análise médica, já que muitos sinais podem estar associados a outras comorbidades ou condições clínicas e psicológicas.
- Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas;
- Dificuldade para brincar e manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer;
- Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele;
- Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações;
- Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
- Evita ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado;
- Distração com estímulos externos e perda de objetos necessários;
- Esquecimento em atividades do dia a dia;
- Inquietude, fala em excesso e dificuldade de esperar sua vez;
- Entre outros sinais.